quinta-feira, 29 de abril de 2010

Saudade

Saudade de correr na grama molhada,
de não saber se amanhã irei ter tudo ou nada.
Saudade de subir na arvore,
de comer a amora direto do pé.
Saudade andar descalço,
de poder sujar sem se importar.
Saudade do abraço de irmã,
de nem pensar no amanhã.
Saudade de quando minha maior preocupação era perder os dentes,
de quando não tinha a real dimensão das coisas.
Saudade de abrir a boca na chuva,
de me saciar com pouco.
Saudade de comer um doce sem culpa,
de não saber o que é gula.
Saudade dos abraços, dos sorrisos,
de toda a sinceridade que estes traziam.
Saudade de toda a imaginação,
de quando eu só precisava de papel e lápis de cor.
Saudade das fantasias,
de coelhinho da páscoa, Papai-noel, Cinderela.
Saudade dos joelhos ralados, dos roxos misteriosos,
de levar um tombo e levantar,
Saudade de enxergar o nada,
e ver neste tudo.