A porta principal range, está velha. E com passos curtos e cuidadosos ela se senta na namoradeira de madeira que fica na varanda. Está frio.
O orvalho ainda não evaporou ,ainda se concentra em gotículas nas pétalas das rosas.
A brisa suave e gelada faz carinho no seu rosto amanhecido, tira do lugar uma mecha de fios grisalhos e por um suspiro o ar é levado dolorosamente aos pulmões que muitas vezes já respirara.
Quando ela acordou já sabia que era aquele dia. Seria o ponto final de uma longa história, e pensando assim uma lágrima escorreu por entre profundos riscos do seu rosto, como a nascente de um rio.
Junto à essa lágrima um filme passou rapidamente na sua cabeça. Sua infância na fazenda, o balanço na mangueira, o colegial, o primeiro e único amor, seu casamento, sua formatura, seus filhos correndo pelo quintal daquela mesma casa. Era seu próprio filme, feitos de cenas marcantes e especiais.
Seus pés iam para frente e para trás no ritmo da cadeira de balanço, mas depois de um breve soluço de choro mais um suspiro pôs fim ao ritmo freqüente e a vida daquela senhora que agora dormia.
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